sábado, 10 de abril de 2010

Devaneio



No caminho fatigante de erros inocentes, de idas e vindas, a sombra de um ser perpetua mesmo na ausência, mesmo na carência dos sentidos.

Nessa trilha, uns chegam, alguns chamam, outros passam e um invade, invade como se a casa fosse sua. Mas é prazeroso, arrebatador.

Dizia tudo, me dava o mundo, me fazia transbordar da mais singela euforia. Surgiu do nada e por nada se foi; na verdade, nem sei se existiu.

Ao menos em mim estava presente, porém distante. O que nos unia era uma ponte que tornou-se abismo, já que o alicerce era fraco, era ilusão.

Tudo poderia ser diferente! Se não fosse por mim e por você, se tivesse sido por nós! E como a brisa que vai levando a suavidade da manhã o tudo se perdeu.

Mergulhei na alegria incerta de te ter comigo, ainda sem matéria, fazendo-se apenas de palavras. Agora acordei e nem sei em que parte te escondes aqui.


Rogna Costa 

3 comentários:

Kelliany disse...

...erros inocentes

Rogna disse...

Sem culpa, Kelliany. XD

João disse...

Quiseram construir a ponte em concreto, mas você embargou a obra só pra poder dar a ela o status de 'alicerçada em ilusão' e transformar sua vida em poesia.

Na verdade são 'erros ignorantes'. Frutos de quem ignorou a ajuda que teve. A menos que você ache legal ter uma vida poeticamente bonita e realmente frustrada. Ainda assim não seriam erros inocentes, seriam 'conceitos abestalhados'.