quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Conclusão



Sentamos na mesa, com bobagens e até risos
depois, como um relâmpago de frio, uma intensa discussão começamos a travar.

Nunca se sabe quem é o certo nessas horas
Nem ao menos sabe realmente o motivo
Mas ambos os lados não se calaram, constantemente participam, defendendo-se de nada.

Até que entre cansaço e raiva, por instantes, as lágrimas saem com as palavras.
Foi a pior cena que senti.
Ver a proporção se formular na minha frente
Foi a prova concreta, de que eu não tinha noção do momento.

Esse momento se pendurou, por horas e horas...

O choro já era incontrolável, tudo era triste.
O que fazer quando achamos que um piscar de olhos pode piorar tudo?

Resolvi, esperei, controlei e evitei.
Sentimentos se sobressaíram, e apesar de tudo o que foi dito, continuar sofrendo nunca é uma boa escolha para quem se ama, e umas das certezas que eu conheci nessa minha vida, é que sempre vou te amar.  

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

2011



O mundo girou e girou como nunca
Estava com frio, ansiosa, confusa
Estava lá
Depois, como um flash, um clarão, outra realidade aparece
E a dor chega
Foi minha escolha passar aquilo, mesmo sem conhecer
Os dias se passaram, pouca fome e poucos passos
Até que me vejo em casa, e tudo se transforma
Estava feliz, satisfeita
Cuidados vinham em milhares
O arrependimento nem se quer me tocou ali
Um êxtase misturado com a realização
Do que eu quis ser e ter
Incrível como tudo foi se moldando e mudando
Já melhorou bastante
E a cada dia renovo minhas forças pelo meu presente
E fico feliz por ter escolhido aquele instante

O ‘agora’ parece pouco para a multidão de idéias que penso
Mas controlo, e tento, aos poucos, construir
Sei que prometo para mim mesma, coisas que nunca termino
E acabo me sentindo mal, achando que não posso prometer a ninguém nada, se nem a mim eu sigo
Mas esse pouco que me resta
Torna-se uma brecha
Para alcançar tudo que quis, e lá no fundo, agora entendo, que apesar de dos tijolos, madeira e cimento, a casa vai depender de mim

Patrícia Fausto

terça-feira, 26 de outubro de 2010


Que serei eu assim vivendo sem ti?

Se o meu amor exacerbado é tão retumbante

quanto o léxico dos sonhos contigo;

Dormir, sonhar, acordar...tanto faz...

Se a tua imagem não sai do meu semblante

Ela roubara todos os meus pensamentos

E antes eu, que era o que pensava

Agora vivo com o âmago à espera do teu amor;

E mesmo sabendo que nunca poderei ser correspondida

Prendo-me a estes teus braços, que me carregam dia e noite

na ilusão constante em que vivo.

Viver assim, com esse paradoxo de sentimento platônico,

com toda essa ideologia errônea que não me satisfaz...

Minutos passam e o meu desejo continua sem resposta

Mas mesmo assim, seguirei com esta prosopopéia sonolenta

que me acalenta veemente.

Marília Félix

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Apenas vestígios



Em meio às vozes que me mandam calar...
E essa noite que recolhe minhas aspirações mais ternas...
São tantos os motivos que me pedem para tirar de mim o que na prática nunca pode ser meu!
Ontem querer-te me fazia entoar as notas mais suaves, me fazia fechar os olhos, me agitava a respiração.
Teu semblante era a imagem que me vinha à mente ao despertar, tua voz era o som que renovava minhas esperanças em todas as fases do luar.
Quanta coisa mudou!
Hoje tua presença estremece meu corpo, mas não com agrado, e sim como uma onda que te quer longe, cada vez mais longe.
A razão zomba de mim, pois a abandonei no meio do caminho, quando tudo o que diz respeito a ti abalava meu mundo com encantos.
Sei que o sentimento que meu peito guarda com esmero não é o bem maior, não é amor. O amor não encarcera a alma, o amor não detém os passos de quem busca construir algo bom. E isso, eu sei, não é amor.
Sinto que amanhã não restará sequer uma gota desse mar que me consome, o nó da garganta desaparecerá e respirarei aliviada.  As belezas concretas se encarregarão de jogar ao vento os caprichos de um sonho que passou.


Rogna Costa

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

E como se consegue não opinar? Não escolher e enquadrar.
É mais difícil do que se tenta.
É irregular até lhe sufocar.
De escolhas vou construindo minha vida
E tentando não sair dos rumos que aparecem no meu mundo.
Fazendo deles, sentido.

Não gosto dessa pressão inútil regida a fortes vontades.
Não funciono ouvindo reclamações de alguém que não olha os lados.
E foi assim que me criei dentro dessa bolha.
As portas nunca abrem simultaneamente
No dia em que isso acontecer, vou estar livre de algo que nem mesmo sei o que é, mas temo e desejo, temo e desejo.

O que realmente faço?
Mostro personalidade arriscando perdas ou mostro a insegurança de sentimentos frágeis regidos ao medo?
Quem poderá me responder?
Como é difícil se conter, quando os problemas e as soluções estão dentro de você mesmo.

É um paralelo entre o que é certo e o que é certo para você.
Ninguém sabe exatamente o grau das conseqüências
E absurdamente, todos os dias, tomamos atitudes
Diante de uma cor ou de um amor.

Já reclamei, já escrevi e só me senti mal.
Mas nunca experimentei fortemente o outro lado da moeda.
Agora, aqui de cima, vejo o quanto à ilusão vaga por ambos os lados.
E nem sempre é feliz quem está aqui.
A felicidade é tão relativa quanto o tempo.

Fico imaginando o quanto isso afetará em minhas letras, meu ser.
Se tudo aquilo voltará quando essa sensação esgotar.
E então o normal será o mesmo.
Ou se não, se vou encarar com outra perspectiva
Se além de um tudo, é melhor ficar onde está, se com que lhe dão, você não pode saciar.

Lá me vejo novamente, cheia de perguntas
Quanto mais penso, mais me confundo.
E não tenho a quem recorrer ajuda, se não for a mim mesma.
Mesmo sem muita certeza, percebi que no momento, não tenho motivos concretos para responsabilizar meus atos.
Mas se o que sinto, servir como escudo, senti intensamente tudo aquilo que escolhi.


Luzes, gente, música.
Que festa!
Luzes quietas, gente qualquer, música ruim e você.
Minha pouca visão teve de longe um sentido.
Cheguei mais perto e comprovei a beleza.
Ali fiquei, sorrindo, bebendo o momento aos poucos.
Então o ruído recomeça, as pessoas dançam e seus braços a mim se estendem.
Foi um pedido, foi um convite, foi o alívio.
Aceitei como um escravo foge da prisão.
Aquilo salvaria a noite, daria um sentido ao momento, a nós.
E foi tão bom te sentir e somente isso.
Não tinha mais luzes, música, gente, só você.
Uma coincidência me deu a melhor surpresa.
Nossas conversas, risos, improvisos.
Não precisava ir além, somente as palavras já estavam satisfazendo...
Até que subitamente me vejo em uma pergunta direta e enfim, me entrego a sua atitude.
E assim à noite nos levou.
Poucos contatos, intensos contatos.
Vontade de rever era sempre um assunto.
Mas demorou, como demorou.
Julgava ser feito de atitude e a falta disso, fez com que meus passos fossem por outros caminhos.
Oh, sorriso, altura, sonho, identidade...
O tempo vai te trazer novamente para a minha pouca visão?

Não pense meu bem
Que eu não fechava os olhos ao ouvir suas palavras
Que eu não imaginava e nada sentia
E que vontade, saudade, sorrisos não exista.

Não pense meu bem
Que os braços que te acolheram foram forjados
Que os olhos curiosos a descobrir sua imagem não se alegraram
Ao ver que estava aqui.

Não pense meu bem
Que te fiz de jogos para sustentar meu ego
Que não me deixei tentar
Tentar o novo, o construído.

Pense meu bem, eu desde que lhe conheci
Optei por me decidir.
Sem mentira, sem ilusões.
Sincera ao extremo, meu ser ao extremo.

E veja quanto contraditória são as palavras...
Nem sempre a sinceridade é boa.
Foi o meu mal, o mal que te atingiu.

Estava desigual, estava solto, estava preso.
Preso a você e livre em mim.
Eu não senti.
E quis, realmente quis.
Como poderia não querer?
A conveniência me levou a tentar.
Você é certo, era o certo.
Mas não era meu ser ao extremo.

E em meio a tanto envolvimento
Lá estava eu, a indiferença estampada em meus longos dias pensantes
Até que percebi que minhas estradas não eram as suas.

Não foi você, não foi o tempo.
Tudo está em mim.
Não consigo nem mesmo entender
Mas não poderia deixar continuar.

Entendo você não entender.
É difícil, mas necessário.
A dor vai te levar.
E não pense que não me importo.
A dor vai nos levar.

Tua vida vai te guiando o melhor.
E o tempo vai te explicar
Que as vezes largar o que é certo e acreditar no que sente
É melhor que tentar.

Patrícia F.