quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Não pense meu bem
Que eu não fechava os olhos ao ouvir suas palavras
Que eu não imaginava e nada sentia
E que vontade, saudade, sorrisos não exista.

Não pense meu bem
Que os braços que te acolheram foram forjados
Que os olhos curiosos a descobrir sua imagem não se alegraram
Ao ver que estava aqui.

Não pense meu bem
Que te fiz de jogos para sustentar meu ego
Que não me deixei tentar
Tentar o novo, o construído.

Pense meu bem, eu desde que lhe conheci
Optei por me decidir.
Sem mentira, sem ilusões.
Sincera ao extremo, meu ser ao extremo.

E veja quanto contraditória são as palavras...
Nem sempre a sinceridade é boa.
Foi o meu mal, o mal que te atingiu.

Estava desigual, estava solto, estava preso.
Preso a você e livre em mim.
Eu não senti.
E quis, realmente quis.
Como poderia não querer?
A conveniência me levou a tentar.
Você é certo, era o certo.
Mas não era meu ser ao extremo.

E em meio a tanto envolvimento
Lá estava eu, a indiferença estampada em meus longos dias pensantes
Até que percebi que minhas estradas não eram as suas.

Não foi você, não foi o tempo.
Tudo está em mim.
Não consigo nem mesmo entender
Mas não poderia deixar continuar.

Entendo você não entender.
É difícil, mas necessário.
A dor vai te levar.
E não pense que não me importo.
A dor vai nos levar.

Tua vida vai te guiando o melhor.
E o tempo vai te explicar
Que as vezes largar o que é certo e acreditar no que sente
É melhor que tentar.

Patrícia F.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O Afeto



Tudo passa


Na dança permanente do tempo:


A roupa da moda, a música de sucesso, as fases da vida...


Tudo passa



Menos algo inabalável


Que se impõe com força


E derruba os costumes e diferenças


Que nos separam e dividem



É o afeto


Sentimento que brota de nossa sensibilidade


E se internaliza na digestão dos nossos julgamentos


Para externar-se na explosão de nossas reações



Falo do afeto não manipulável


Que é querer verdadeiro


Que não encarcera


Que respeita e exige respeito



Ele está na nossa alma


E se desabrocha na percepção do outro


Sem a necessidade imperativa das palavras


Sem a necessidade imperativa do tocar

domingo, 15 de agosto de 2010

Amor Próprio


O grande Vinícius dizia
"Sem você, meu amor, eu não sou ninguém"
Para mim, sem desdizer o poeta
Eu me dou o liberdade de contrariá-lo
Porque não balizo meu "ser" pelo "ser" de outrem
Como diz o também grande poeta Chico Buarque
"Apesar de você/Amanhã há de ser outro dia"

Claro,
Chico fala de política e Vinícius
De amor romântico
Para mim, duas dimensões que não se excluem
Pois tanto amor como política podem converter-se
Em meras ferramentas de dominação
A não ser que tenhamos amor próprio



quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pequeno estranho


Se eram para mim, que doces.
Seus olhos eram doces.
Eram atentos, sinceros e tímidos.
Ah, como eram doces.
Eu que era a fria, a direta, a que achava graça.
A que te perdia.
E você não se perdeu.
Pequenos fatos, pequenos momentos.
E o assunto se cala, até da mente.
Mas não dos nossos olhos.
Porque só foi mais um instante
Para voltar toda aquela mistura indefinida, mas interessante.
Aí você foi o frio, você foi o esperto, virou toda a atenção.
Também virei, mas foi para o mundo.
Saí e nem percebi que estava resistindo.
Até então, cruzastes os meus passos, e eu caio imediatamente em encantos.
Você saiu para o mundo.
E eu fiquei só.

Isso é uma porta, escancarada para meus pensamentos.
Quanto segredo, quanto mistério no óbvio!
Quantas letras estão rendendo esse pequeno infrator.
Posso até sentir, em uma estreita fileira de genes
Você olha para mim com um olhar de ‘finalmente’
E me pede licença para passar.
Poderei ouvir sua voz, e se ela for doce como os olhos, estarei perdida.
Será a porta para me devassar.
Então poderei escrever mais uns minutos de como aquilo carrega minhas noites.
Mas até isso, é pouco. É muito pouco o que temos.






segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Veio do nada com a sua delicadeza recatada, era de se notar que necessitava de abrigo.
E recebeu, mas sem muita felicidade.
Como se realmente não tivesse outras opções.
E do silêncio veio e no silêncio ficou.
Nada se tinha de tão grandioso.
Um pequeno contato, em uma noite de atrapalho.
Em muito pouco, sua vida se resumiu.
E eu pensando que abriria uma porta para toda uma personalidade
Estava ficando mais uma vez no vácuo da incerteza.
Seu mundo em um só lugar, aconchegante de tanto se usar.
Quanta limitação, como alguém vive assim?
Cadê o brilho, o sorriso, as palavras, o som?
A timidez não é culpada de tanto.
Existe algo além, e dela é que não sairá às respostas.
Guarda a casa no seu lugar, dormindo, lendo, comendo, vendo, vivendo.
Queria saber o que se passa em sua mente.
De tanto descanso, as coisas devem fluir sem limites.
Ou não.
Ela é o que se vê. E se for, como chegou até ali ou nunca saiu?
Nunca pensou em sorrir além de si? Nunca pensou em se divertir, ou para ela isso é diversão? Quantas incertezas tenho sobre, mas vejo que tudo esse questionamento é
em vão. Só tenho uma amostra do seu dia, da sua vida. Poucas são as formas de saber se tenho muito para conhecer ou se isso tudo, é a sua doméstica solidão.


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Vai

Larga toda essa mágoa.
Quem consegue mais viver disso?
Não é sustentável, são apenas desculpas.
É uma grande desculpa fingir.
É a maneira certa de  fugir de si mesmo.
Então, não finja mágoas.
Segure minhas mãos, meus olhos, minhas palavras.
Estamos livres demais para sofrer.
E o pior, sofrer por engano, por dor.
Venha, a vida  são estradas.
Quero escolher uma e seguir com você.
Seremos fortes o bastante, para enfrentar o nosso ‘eu’ e o mundo.
Olhe em volta, temos o bastante para isso.


Tempo

Lá vem mais tempo.
Tempo longe do amor, da cor e do tom.
Tempo longe de mim.
Limite entre o que sinto e sou.

Nada mais interessa, apenas o foco.
Além disso, só a falta.
E com as horas, vai acabando,
Enchendo a minha imensa vontade de voltar.

A cada chagada, é uma alegria maior.
Tudo se renova.
Chego em mim, e me aconchego.
No lar, flutuo.